
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
Três Verões, Julia Glass
sexta-feira, 30 de julho de 2021
Já fizeste a mala?

Estou a fazer, mas este ano não vou ser tão ambiciosa como em 2020.
Eu sei que eles não se importam de viajar e que adoram que eu viaje com eles. Mesmo se voltarem sem terem sido abertos, sabem que não vão ficar esquecidos e que o seu dia há-de chegar. Sinto saudades de viajar com Paul Théroux, mas decidi que estes também não podiam esperar mais e que neste Agosto vão ser os meus companheiros de viagem.
Os desenhos têm ficado parados e eu sei como tenho dificuldade de conciliar as duas actividades. Na bagagem também irá outro material. Logo se verá se serão as aguarelas ou os pastéis, mas será sempre desenho de observação e no campo o manancial de motivos é infinito.
Agora que estou na minha estação preferida, ambiciono sempre agarrar com as duas mãos o dia, a luz, o calor, a calma, o silêncio.
A todos e todas que vão seguindo estes meus escritos sem prazo nem obrigação, com a descontracção do tempo que se vive e que corre veloz, boas férias. Dias felizes.
sábado, 25 de maio de 2019
O fascínio dos jacarandás

De repente, surgem as primeiras flores lilás na copa das árvores e ao fim de poucos dias é o fascínio dos jacarandás cobertos com as suas flores maravilhosas. Sem precisarmos de olhar para o calendário, olhamos para o céu e aquela explosão de flores de jacarandá anuncia para breve a festa dos livros no Parque Eduardo VII, a Feira do Livro. São também os primeiros sinais de que o Verão está a chegar.
Árvore originária do Brasil, o clima quente de Lisboa e de terras ao sul do Tejo, permitiu que ela se sentisse bem no nosso país, desde que, por ordem do director do Jardim Botânico de Lisboa, se instalou por cá, no início do século XIX. As flores não vão demorar muito tempo nas copas e irão atapetar os passeios cobrindo-os com um manto roxo, mas enquanto duram são uma delícia para os olhos.
Eugénio de Andrade também se deixou fascinar pelos jacarandás de Lisboa:
"São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar."
ou neste outro texto intitulado "Em Lisboa com Cesário Verde" in Homenagens e outros Epitáfios de 1986
"Nesta cidade, onde agora me sinto
mais estrangeiro do que os gatos persas;
nesta Lisboa, onde mansos e lisos
os dias passam a ver as gaivotas,
e a cor dos jacarandás floridos
se mistura à do Tejo, em flor também,
só o Cesário vem ao meu encontro,
me faz companhia, quando de rua
em rua procuro um rumor distante
de passos ou aves, nem eu sei já bem.
Só ele ajusta a luz feliz dos seus
versos aos olhos ardidos que são
os meus agora; só ele traz a sombra
dum verão muito antigo, com corvetas
lentas ainda no rio, e a música,
o sumo do sol a escorrer da boca,
ó minha infância, meu jardim fechado,
ó meu poeta, talvez fosse contigo
que aprendi a pesar sílaba a sílaba
cada palavra, essas que tu levaste
quase sempre, como poucos mais,
à suprema perfeição da língua."
"Autobiografia não escrita de Martha Freud", Teolinda Gersão
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