
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
Três Verões, Julia Glass
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
#17 A República

#17 A República
Nesta colagem que fiz para celebrar o 5 de Outubro, dia da implantação da República, baseei-me numa maravilhosa estampa do Almanach d’O MUNDO de 1910, assinada por Alberto Souza. É a imagem muito bela e muito forte de mulher, como foram as mulheres republicanas que, não só bordaram a primeira bandeira da República, mas se mobilizaram e acreditaram que a República iria trazer igualdade e justiça para as mulheres portuguesas.
O busto da República simboliza essa força, essa esperança num mundo novo que acabasse com os males da monarquia. Novas leis do casamento e da filiação, alteração do tratamento do crime de adultério, lei do divórcio, direito de as mulheres poderem trabalhar na Função Pública são logo as primeiras medidas após a implantação da República. Para a história, ficaram os nomes de Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Maria Amália Vaz de Carvalho e muitas outras republicanas anónimas que acreditaram genuinamente na República e que estabeleceram como prioridades para as mulheres portuguesas o direito ao voto e o acesso à educação.
Nesta colagem utilizei uma cronologia entre 1868 e 2009 que permite ter uma perspectiva das conquistas nos direitos das mulheres, alguns dos marcos decisivos e as protagonistas. Um caminho com muitos sobressaltos, mas que muito nos deve orgulhar.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
# 14 Paula Rego

#14 Paula Rego
Quando no início do ano comecei a idealizar o projecto a que dei o nome 20 Mulheres em 2020, Paula Rego foi um dos primeiros nomes que me veio à cabeça. É talvez das pintoras portuguesas cuja obra mais amo.
A força das suas telas, os múltiplos sentidos que nos convocam sempre que somos confrontados com o inusitado dos elementos de que são feitas, a perfeição e domínio técnico são parte substancial da admiração pela pintora. A somar a estes aspectos, a força da sua pintura reflecte uma personalidade livre, irreverente, desconcertante.
Quando em Portugal se lutava pela despenalização do aborto, quando grande parte do povo ignorou o seu valor não participando no primeiro referendo, quando a hipocrisia reinante quis impor um silenciamento demasiado ruidoso do aborto clandestino, Paula Rego decidiu pintar “vários tipos de mulheres que estão a sofrer. Jovens de escolas com uniformes – comprei uniformes ingleses – depois uma mulher mais velha, que já tem filhos que cheguem, com uma bata azul. As meninas ricas que escondem dos pais e fazem abortos sozinhas nos quartos. Essas coisas acontecem em toda a parte. No Estoril, em Cascais…”. Era preciso desocultar o tabu do aborto clandestino.
Pelo facto de o referendo de 1998 ter sido perdedor, a sua decisão de pintar o tema do aborto clandestino, tornou-se-lhe um imperativo, uma exigência cívica. Como Paula Rego diz numa entrevista num jornal da época “ Devia ser legalizado o desmanche, legalizado a liberdade de cada mulher decidir por si própria. Não é mandar prender, isso é uma vergonha.”
Visitar a obra multifacetada de Paula Rego é um privilégio que nos é acessível, nomeadamente através da sua Casa das Histórias em Cascais.
sábado, 24 de agosto de 2019
Isabel Menina Mulher






quarta-feira, 24 de abril de 2019
Não esquecer Rana Plaza

Hoje fiquei chocada quando, ao ir às memórias deste dia na minha página do facebook, percebi que esta imagem estava censurada com a indicação de ser uma imagem com "conteúdo gráfico ou violento" e portanto o "livro dos rostos" decidiu por mim e censurou-a.
Chocante, de facto. O rosto do capitalismo é chocante e nem precisamos de falar em capitalismo selvagem porque selvagem é uma redundância. O capitalismo é selvagem, PONTO!
Há seis anos, em Rana Plaza no Bangladesh, morreram mais de 1100 trabalhadores e trabalhadoras e os feridos foram mais de 2500, alguns com sequelas persistentes para o resto das suas vidas. Eram sobretudo mulheres de diversas fábricas de confecções que fornecem roupa para a H&M, Benetton, Mango, Zara e outras tantas lojas em todo o mundo. Apesar dos avisos de que o edifício apresentava sinais preocupantes de risco de colapso, as trabalhadoras/es foram forçadas a trabalhar com risco de serem despedidas/os.
Durante anos, activistas, sindicalistas e vítimas desta tragédia fizeram acções na rua, levaram as empresas responsáveis a tribunal, exigiram que os seus direitos fossem minimamente acautelados, já que os mortos nunca mais poderiam ver as suas vidas repostas. O capitalismo mata e não tem remorsos.
Neste dia, a Marcha Mundial das Mulheres, em todo o mundo recorda as vítimas de Rana Plaza através das 24 Horas de Solidariedade Feminista. Recordo, através de fotografias, a iniciativa de denúncia feita pela MMM - PT em 2015 na Rua do Carmo e no Chiado em Lisboa.


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