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domingo, 7 de julho de 2019

Eu tenho muitos amores

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Quando chega o mês de Julho e começo a limpar e organizar o que fui acumulando ao longo dos últimos meses, reforço a minha imagem de dispersão, duma vontade imensa de querer experimentar, de não fechar a porta a... e lembro-me sempre duma frase duma colega que na altura me deixou perplexa: "Tu nunca chegas ao fundo das coisas!"


Acho que ela queria dizer que eu nunca aprofundava, que tinha medo de entrar num poço de onde não mais saísse, que ficava pela rama das coisas para não ferir susceptibilidades. Talvez tivesses razão, Maria.


Mas eu acho que gosto desta dispersão, de gostar de gostar, de me aventurar em coisas novas, de achar que poderei aflorar mais um caminho, mas sem querer entrar no poço, para ali ficar.


Ler, escrever, desenhar, pintar, viajar, cozinhar, passear, extasiar-me com uma montanha, uma árvore, uma flor, um pôr-do-sol inacreditável... amar a política para fazer o mundo ser mais justo e decente, acreditar que a revolução só será se for feminista e indignar-me quando leio o que se passa no mundo e aqui mesmo na terra onde vivo!


Outros, outras serão mais dados/as a fazer aquilo que a Maria gostava que eu fizesse, mas eu, desculpa lá Maria nasci para ter muitos amores!

"Autobiografia não escrita de Martha Freud", Teolinda Gersão

  “Autobiografia não escrita de Martha Freud” – Teolinda Gersão, 2024 Na sequência de “Regresso de Julia Mann a Paraty” que li o ano passa...