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sábado, 20 de abril de 2024

Dublin - 6

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Dublin -6


E aqui chegámos ao quinto e último dia em Dublin, também o dia de anos da Guiomar. Vai ser Dublin só de manhã porque temos o transfer logo às 15:15, para uma viagem que parte do aeroporto às 18:45.


Hoje está um tempo bonito de sol. Começámos pela maravilhosa Catedral de St. Patrick, precedida de uma volta pelo parque adjacente de St. Patrick. A catedral é linda e tem mais de seiscentas pessoas sepultadas no seu interior e no exterior. Logo à entrada , o local onde Jonathan Swift o autor de As Viagens de Gulliver que foi deão desta catedral  e a sua amada Stella estão sepultados. Esta catedral nacional da Irlanda deve o seu nome a St. Patrick que aí perto baptizou pagãos em finais do século XII. Os restauros a que foi sujeita no século XIX foram-no com os fundos da família Guiness. Não tem imagens de santos, mas tem efígies de irlandeses famosos. Handel praticou no órgão desta catedral , antes da primeira apresentação pública de Massiah, em 1742. Além dos vitrais muito bonitos, o chão está coberto de mosaicos com padrões muito coloridos e tem várias capelas , havendo numa delas uma “Árvore da Vida” onde os visitantes são convidados a deixar uma mensagem dedicada a alguém muito querido.


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Quis com a minha mensagem recordar e homenagear o Povo martirizado da Palestina. Sem dúvida uma catedral muito bela.


Depois fomos à Christ Church Cathedral que deixámos para o fim porque fica mesmo em frente do nosso hotel. Menos sumptuosa, mas também muito bonita, é o mais antigo edifício de pedra de Dublin e ainda oferece uma parte de museu com peças, roupa e um espaço para compras de souvenirs.  


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Por fim, o Castelo de Dublin, também muito perto do hotel. Para além da galeria de todos os presidentes da Irlanda, logo à entrada uma sala com a cama onde esteve hospitalizado James Connoly. O Castelo, na segunda década do século passado, serviu de Hospital da Cruz Vermelha e os feridos da Revolta da Páscoa de 1916 foram levados para aqui, antes de serem fuzilados pelos britânicos. James Connoly, quando foi transferido daqui para a prisão Kilmainham Gaol, estava de tal forma debilitado devido aos ferimentos que foi amarrado a uma cadeira antes de ser fuzilado, o que causou tal horror que, muitas pessoas que não estavam ganhas para a luta destes patriotas que desejavam a independência, passaram depois daquela desumanidade para o lado dos independentistas. Na mesma sala do castelo de Dublin, numa parede as fotografias dos seis patriotas da Revolta da Páscoa e a fotografia da Proclamação do Governo Provisório da República da Irlanda, assinada por eles.


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Dirigimo-nos depois às proximidades do rio Liffey e acabámos por almoçar no mesmo sítio do primeiro dia, festejando o aniversário da Guiomar. Antes ainda, entrámos no Temple Bar para uma última  despedida a James Joyce. Foi entrada por saída, porque pouco havia para comer, só para beber.


Assim se fez a breve história destes cinco dias. Muita coisa ficou por ver, mas ficámos com o espírito da cidade e isso é que contou. Quando me perguntam: E foste aos Cliffs of Moher? E a Galway? Não, não. Só deu para ver um pouco de Dublin. Talvez numa próxima vez dê para ir a Dublinia, ao Chester Beatt Museum, à National Gallery of Ireland e ao National Museum of Ireland, a Kilmainham Gaol,ao EPIC, The Irish Emigration Museum, às Docklands, ao Dublin Writers Museum e ao James Joyce Centre, ao Little Museum of Dublin e a Bray ou aos Howth Cliffs ou à Henrietta Street…


Isto só para falar em Dublin que não é uma cidade muito grande. A minha ambição era muito maior quando fiz a lista de coisas a visitar…

terça-feira, 16 de abril de 2024

Dublin - 3

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Dublin – 3


O segundo dia em Dublin começou mal para mim, porque perdi os óculos… aliás, procurei, procurei, procurei em toda a parte e não os encontrei. Foi o Vítor, com a sua persistência que acabou por os descobrir enfiados dentro do sofá ao lado da cama. Escorregaram lá para dentro e lá ficaram. Que stress!


Resolvido o problema, lá fomos comprar o bilhete do Hop on Bus que nos permite percorrer a cidade por 24 horas, para fazermos a volta toda e percebermos onde devemos parar nos sítios com interesse e que fiquem mais distantes. A cidade é muito acolhedora e os guias/condutores são divertidos, embora seja difícil perceber grande parte do que dizem.  Acabámos por descer junto à ponte Ha’Penny Bridge, que foi a primeira ponte em ferro fundido da Irlanda e que tem este nome porque em tempos idos para a atravessar tinha que se pagar uma portagem (half a penny). Desta vez fomos almoçar a um restaurante turco onde se comeu bem, mas regado a Fanta de laranja… No alcohol! Depois voltámos a entrar no Bus na O’Connell Street  junto à Spire – uma agulha em metal considerada a escultura mais alta do mundo, com 120 metros de altura, concluída em 2003 – e a seguir passámos pela estátua de O’Connell, um dos muitos heróis irlandeses que durante séculos morreram a lutar contra o domínio dos ingleses. Tínhamos como objectivo ir a Merrion Square, a zona onde Oscar Wilde viveu para ver a belíssima estátua do escritor reclinado sobre um pedregulho. Simplesmente espectacular, assim como o jardim com lindas flores com perfumes intensos e os grandes relvados onde os cães têm muito espaço para correr e brincar.


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Até St. Stephen’s Green passa-se por uma zona de embaixadas e escritórios de arquitecto, solicitadores e advogados onde se avisa que as bicicletas serão removidas, se se deixarem presas ao gradeamento dos edifícios. St. Stephen’s Green é um grande parque com lagos, com patos e cisnes, com muitas túlipas e outras flores que dançavam de um lado para o outro naquela tarde de muito vento.


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James Joyce gostava muito deste parque e talvez por isso há um memorial que lhe é dedicado. Arrepia pensar que aquele local tão belo e aprazível tenha sido em tempos escolhido para local de enforcamentos públicos. Entrámos pela zona norte que tem um memorial a Wolfe Tone, um patriota do século XVIII e logo no interior do parque, o memorial à fome.


 


A Teeling Whiskey Distillery era um dos pontos que tinha anotado na minha lista de sítios a visitar, mas afinal foi apenas um ponto para visitar as casas de banho, porque a perspectiva de uma visita guiada de 40 minutos entre 20 e 35€ pareceu-nos muito desinteressante! No regresso ao hotel passámos por uma zona certamente antiga, possivelmente operária, de pequenas casas. Fomos descansar no hall do hotel com umas cervejas e uns moroccan falafels, servidos desta vez por uma jovem portuguesa de Évora. O hotel estava cheio, talvez por ser fim-de-semana, com grupos ruidosos que bebiam e de novo um grupo de mulheres para mais uma despedida de solteira.


Andar muito a pé, mesmo que tudo seja próximo e o chão seja plano, também cansa. O dia de amanhã é para sair cedo e evitar as filas para entrar na Guiness Storehouse e aproveitar as últimas horas a que temos direito no Green Bus. Até amanhã!


(continua)

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Dublin - 2

MAPA_Dublin.jpgMapas


Sem mapas nada feito. Olho para o mapa, imagino o tamanho da cidade, assinalo o sítio exacto onde vou ficar, decido o que devo ver,  e depois tento organizar aquele "material" escolhido pelos diferentes dias da estada. Como nunca consegui cumprir um plano, nem sequer no longínquo ano do estágio, sei que também não é agora que vou cumprir plano nenhum, nem isso me preocupa. E com efeito, a bela lista inicial ficou como uma intenção, um desejo, mas sem grande viabilidade de ser cumprida. 


Também não sou muito de me guiar pelo senhor Google e, de mapa físico na mão, olhando para as tabuletas nos topos das ruas que assinalam qual é a Dame Street ou a Merrion Street, lá vou eu armada em turista que não precisa de mais ajudas... excepto quando tenho mesmo de pedir ajuda a um/local. Eu sei que isso já não se usa, mas eu ainda sou do tempo das dinossauras....


Então, o primeiro dia ainda é assim um pouco à maluca, para respirar o ar da cidade, olhar para tudo e não ver nada, tentar descobrir alguma coisa que tenha assinalado na minha lista lá longe na margem sul do Tejo. Estamos no centro de Dublin, mesmo no centro ao pé de Dublinia e em frente à ChristChurch Cathedral e é só descer um pouco e chega-se ao Rio Liffey. Muitas pontes atravessam o rio, mas a mais emblemática - parece que se deve pedir um desejo antes de a atravessar, coisa que eu não fiz - é a Ha' Penny Bridge.


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Atravessada uma das pontes, seguimos ao longo da margem norte, vemos logo um mural alusivo ao Brasil e à comunidade brasileira. O almoço foi no River Bar, um sítio bem simpático, no edifício da Heineken, apesar de termos bebido uma Guiness a acompanhar chicken wings e fries. Como não estávamos muito longe do Trinity College, onde estudam dezasseis mil alunos, pensámos que poderíamos tratar logo de visitar a famosa Biblioteca e o Livro de Kells mas, além de naquele dia já não haver mais visitas, é preciso reservar com antecedência e online. Fica pois para segunda feira às 11 da manhã! 


Quanto ao Temple Bar, numa sexta feira ao fim do dia é impensável. Não cabe um alfinete naquele espaço icónico, mas na mesma rua há muitos outros bares e a ida ao Bad Bob's servido por um rapaz brasileiro e com um cantor de serviço e muita gente a acompanhá-lo dos lugares, soube igualmente bem. Nos dias do fim de semana que se seguiram, vimos vários grupos de raparigas em despedidas de solteiras e aqui no bar foi o primeiro. Vestidas todas com as mesmas cores, as bandoletes com os trevos de 3 folhas, símbolo da Irlanda, eram parte do dress code daquele grupo divertido. 


O cansaço do primeiro dia em que é preciso madrugar para estar a horas no aeroporto não nos impediu de ainda dar um salto ao lado norte da cidade, mesmo junto ao rio para comer um belo gelado. Mais uma rapariga brasileira, desta vez a trabalhar na geladaria. 


Depois deste primeiro contacto com Dublin, sempre a pé, decidimos que amanhã iremos comprar um bilhete de autocarro daqueles em que se pode sair e entrar onde se quiser e que nos permite ficar com uma visão geral da cidade. 


(continua)


 

domingo, 14 de abril de 2024

Dublin - 1

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Dublin – I


Esta era uma viagem desejada há muito. Pensada para ir com a minha turma de Inglês, mas que acabou por ser feita apenas com o Vítor e a Guiomar, que há tempos me tinha emprestado um CD e um guia para eu planear uma visita a Dublin. A ideia da visita guiada com guias locais e num pacote com refeições, para a tal visita com a turma, acabou por ser abortada, dados os preços astronómicos que comportava. Assim, depois de uma longa campanha eleitoral e de um período de tempo com muito trabalho, a ideia de aproveitar uns dias das férias da Páscoa para desopilar, tornou-se um objectivo e Dublin acabou por ser a melhor opção. Ainda tínhamos uns restos a haver da companhia de viagens da tal ida a Berlim que nunca aconteceu por causa da pandemia e, portanto, o dinheiro do mealheiro de 2023 ajudou a tornar a viagem para os dois menos pesada.


Foram cinco dias, melhor, quatro e meio, com tempo aceitável, mais para o frio e com um dia de vento muito forte e outro de chuva intensa. Hoje que estou a escrever este texto num dia de muito calor, parece mentira que tenha estado em Dublin com 7 graus de mínima e quinze de máxima.


Planeei sem grande rigor, procurando encontrar os sítios que achava incontornáveis, começando por não esquecer o peso da Irlanda e de Dublin para a Literatura, ainda por cima porque andamos a ler Dubliners de James Joyce. A minha lista foi extensa, talvez um pouco irrealista, mas, à partida, sabia, que muito iria ficar por ver, muito iria ficar por descobrir. Assim foi. Depois daqueles cinco dias, fiquei com vontade de lá voltar, de visitar coisas que não vi desta vez, mas sair de Dublin e explorar outros sítios, nomeadamente os Howth Cliffs, a quarenta minutos de comboio de Dublin e que, por via da chuva e do nevoeiro , tentámos visitar mas percebemos que não iríamos ver e, por isso, valeu apenas pela viagem de comboio, bastante acessível e agradável.


Gostei das pessoas. Achei-as simpáticas, fiz conversa com os motoristas dos táxis, deparámo-nos com imensos brasileiros e brasileiras (a 2ª maior comunidade a viver em Dublin depois dos Dubliners), bebi pela primeira vez a famosa Guiness e gostei, fiquei deslumbrada com a visita ao Trinity College, englobando a Long Room, o Book of Kells e a visita ao Pavillion. Num registo diferente, mas também de uma qualidade excepcional, a visita à Guiness Storehouse. Tudo pago a preceito… mas com exposições de elevada qualidade e inesquecíveis. Como é possível estarmos a olhar para a estátua de Mary Woolstonecraft, ou de Shakespeare, de Ada Lovelace ou do filósofo Sócrates e de repente eles começarem a conversar uns com os outros, questionando-se sobre nós, os visitantes da exposição? Impossível não ficar de boca aberta com o desenvolvimento e os recursos que hoje são usados em museus e exposições.


A comida? Pobre, repetitiva e só suportável porque somos turistas de poucos dias. Os pubs? O cúmulo da alegria, com muita pint, muita bebida, muita gente a cantar em coro com o músico de serviço. A vida? Cara, muito cara, pelo menos para nós, mas também certamente para os irlandeses, dado ser visível a quantidade de gente a pedir e de pessoas sem-abrigo. Sei que há entre os guias de ocasião, que se encontram um pouco por todo o lado, rodeados de pessoas que os seguem, também guias que são sem-abrigo e que vivem daquilo que recebem dos visitantes que os acompanham. Em 2022, uma bloguista que sigo, escreveu alguns posts na sequência da sua viagem a Dublin e na altura referiu a excelente experiência que teve numa visita guiada por um sem-abrigo, sobretudo porque levam os turistas a conhecer uma outra realidade de Dublin que não é a realidade turística dos guias oficiais, certamente aquela que é mais próxima da realidade dos locais.


Saí de Dublin com a ideia de que os Irlandeses têm um grande orgulho da sua história, dos seus escritores, da sua cultura e da luta que os tornou independentes do poder colonial inglês. Não posso deixar de avaliar que a minha visão parcelar, superficial, limitada e pobre é a visão da turista ocasional que quer uns dias de evasão e olha para a cidade, para os monumentos, para as pessoas com uns olhos sem filtro, a querer descobrir em tudo o que de melhor lhe é oferecido. Mas não deixa de ser interessante, na primeira saída do hotel, a caminho do rio Liffey, quando estás a olhar para um interessante edifício de esquina, um senhor dos seus setenta e muitos te informa que aquela era uma antiga fábrica de sabão/sabonete (soap). Essa simpatia é algo muito bonito que, infelizmente, tanta falta nos faz nos dias de hoje.


(continua)

"Autobiografia não escrita de Martha Freud", Teolinda Gersão

  “Autobiografia não escrita de Martha Freud” – Teolinda Gersão, 2024 Na sequência de “Regresso de Julia Mann a Paraty” que li o ano passa...