Mostrar mensagens com a etiqueta trinity college. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trinity college. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Dublin - 5

Trinity2.jpg


Dublin – 5


Se ontem foi vento forte, hoje foi chuva todo o dia. Muita chuva mesmo, mas lá fomos a pé até Trinity , seguindo pela Dame Street. Não fica muito longe do hotel.


Tínhamos comprado os bilhetes online e depois foi fazer o espaço dedicado ao Book of Kells já muito movimentado e a seguir a maravilhosa Biblioteca – the Long Room – do Trinity College onde já estão os bustos das primeiras quatro mulheres que recentemente tiveram direito a entrar naquele espaço, onde só havia bustos de homens. São elas Mary Wollstonecraft grande pioneira dos direitos das mulheres e do feminismo, Rosalind Franklin cientista, Ada Lovelace matemática e Augusta Gregory, folclorista e dramaturga.


Trinity1.jpg


Grande parte dos livros já foi retirada das estantes da biblioteca para limpeza e manutenção, para poderem ser preservados para as gerações futuras. No mesmo sentido da urgência de cuidar do que temos, a grande peça que se encontra no fundo da Grande Sala é um globo gigante, suspenso do tecto – a Terra vista do espaço, tal como os astronautas a vêem – numa comparação com a urgência de cuidar do planeta Terra para as gerações vindouras. Seguiu-se a parte da exposição imersiva de Kells e da Long Room, uma síntese belíssima do que vimos antes. Tudo muito belo e muito pedagógico. A seguir o Pavillion, espectacular, com estátuas falantes que nos situam na época e que falam com os visitantes sobre o seu papel para a História da humanidade. Nunca tinha visto uma coisa igual.


Sweny.jpg


Depois, descobrir a Sweny, uma farmácia transformada em pequena livraria – onde os escritores irlandeses estão em destaque. Não resisti a comprar um exemplar dos “Dubliners” com direito ao carimbo da Sweny, um sabonete de limão que é referido no Ulysses e um imã com a cara de James Joyce.


Mal se atravessa a rua, como estamos na zona onde viveu Oscar Wilde, lá está ele representado numa escultura, sentado à porta do Kennedys, local que foi o seu primeiro emprego quando tinha 14 anos. Foi aí que almoçámos, uma espécie de Martinho da Arcada em Dublin, desta vez dedicado a Oscar Wilde. O bar restaurante assinala “Kennedys, where stories began”.


Kennedys.jpg


Como estávamos muito perto duma estação ferroviária e, como sou teimosa, apanhámos o comboio para ir até Howth, para ver os tais penhascos, mas com aquela imensa chuva e total ausência de visibilidade, limitámo-nos à agradável e barata viagem de ida e volta de comboio. Talvez a única coisa barata que fizemos em Dublin.


Com um dia de chuva como aquele, nada melhor que passar pelo SPAR e comprar umas coisas para comer no hotel. Foi o que fizemos.


(continua)


 

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Dublin - 2

MAPA_Dublin.jpgMapas


Sem mapas nada feito. Olho para o mapa, imagino o tamanho da cidade, assinalo o sítio exacto onde vou ficar, decido o que devo ver,  e depois tento organizar aquele "material" escolhido pelos diferentes dias da estada. Como nunca consegui cumprir um plano, nem sequer no longínquo ano do estágio, sei que também não é agora que vou cumprir plano nenhum, nem isso me preocupa. E com efeito, a bela lista inicial ficou como uma intenção, um desejo, mas sem grande viabilidade de ser cumprida. 


Também não sou muito de me guiar pelo senhor Google e, de mapa físico na mão, olhando para as tabuletas nos topos das ruas que assinalam qual é a Dame Street ou a Merrion Street, lá vou eu armada em turista que não precisa de mais ajudas... excepto quando tenho mesmo de pedir ajuda a um/local. Eu sei que isso já não se usa, mas eu ainda sou do tempo das dinossauras....


Então, o primeiro dia ainda é assim um pouco à maluca, para respirar o ar da cidade, olhar para tudo e não ver nada, tentar descobrir alguma coisa que tenha assinalado na minha lista lá longe na margem sul do Tejo. Estamos no centro de Dublin, mesmo no centro ao pé de Dublinia e em frente à ChristChurch Cathedral e é só descer um pouco e chega-se ao Rio Liffey. Muitas pontes atravessam o rio, mas a mais emblemática - parece que se deve pedir um desejo antes de a atravessar, coisa que eu não fiz - é a Ha' Penny Bridge.


IMG_7680.JPG


Atravessada uma das pontes, seguimos ao longo da margem norte, vemos logo um mural alusivo ao Brasil e à comunidade brasileira. O almoço foi no River Bar, um sítio bem simpático, no edifício da Heineken, apesar de termos bebido uma Guiness a acompanhar chicken wings e fries. Como não estávamos muito longe do Trinity College, onde estudam dezasseis mil alunos, pensámos que poderíamos tratar logo de visitar a famosa Biblioteca e o Livro de Kells mas, além de naquele dia já não haver mais visitas, é preciso reservar com antecedência e online. Fica pois para segunda feira às 11 da manhã! 


Quanto ao Temple Bar, numa sexta feira ao fim do dia é impensável. Não cabe um alfinete naquele espaço icónico, mas na mesma rua há muitos outros bares e a ida ao Bad Bob's servido por um rapaz brasileiro e com um cantor de serviço e muita gente a acompanhá-lo dos lugares, soube igualmente bem. Nos dias do fim de semana que se seguiram, vimos vários grupos de raparigas em despedidas de solteiras e aqui no bar foi o primeiro. Vestidas todas com as mesmas cores, as bandoletes com os trevos de 3 folhas, símbolo da Irlanda, eram parte do dress code daquele grupo divertido. 


O cansaço do primeiro dia em que é preciso madrugar para estar a horas no aeroporto não nos impediu de ainda dar um salto ao lado norte da cidade, mesmo junto ao rio para comer um belo gelado. Mais uma rapariga brasileira, desta vez a trabalhar na geladaria. 


Depois deste primeiro contacto com Dublin, sempre a pé, decidimos que amanhã iremos comprar um bilhete de autocarro daqueles em que se pode sair e entrar onde se quiser e que nos permite ficar com uma visão geral da cidade. 


(continua)


 

"Autobiografia não escrita de Martha Freud", Teolinda Gersão

  “Autobiografia não escrita de Martha Freud” – Teolinda Gersão, 2024 Na sequência de “Regresso de Julia Mann a Paraty” que li o ano passa...